segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Os Três Mal-Amados

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

João Cabral de Melo Neto

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Aprendendo a ser forte


"Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes, não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima se fixar exposto por muito tempo.

E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...

E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que leva-se anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-las, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.

E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher...

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa , por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas...

Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.

Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja a situação, sempre existem dois lados.
Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando você cai, é uma das poucas que o ajuda a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou.

Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha...

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.

Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida".

William Shakespeare

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Você já viu um girassol?


Trata-se de uma flor amarela, muito grande, que
gira sempre em busca do sol. E é por essa razão que
é popularmente chamada de girassol.

Quando uma pequena e frágil semente dessa flor
brota em meio a outras plantas, procura
imediatamente pela luz solar. É como se soubesse,
instintivamente, que a claridade e o calor do sol
lhe possibilitarão a vida.

E o que aconteceria à flor se a colocássemos em uma
redoma bem fechada e escura? Certamente, em pouco
tempo, ela morreria.

Assim como os girassóis, nosso corpo físico também
necessita da luz e do calor solar, da chuva e da
brisa, para nos manter vivos.

Mas não é só o corpo físico que precisa de cuidados
para que prossiga firme. O espírito igualmente
necessita da luz divina para manter acesa a chama
da esperança. Precisa do calor do afeto, da brisa
da amizade, da chuva de bênçãos que vem do alto.

Todavia, é necessário que façamos esforços para
respirar o ar puro, acima das circunstâncias
desagradáveis que nos envolvem.

Muitos de nós permitimos que os vícios abafem a
nossa vontade de buscar a luz, e definhamos
dia-a-dia como uma planta mirrada e sem vida.

Ou, então, nos deixamos enredar nos cipoais da
preguiça e do amolentamento e ficamos a reclamar da
sorte sem fazer esforços para sair da situação que
nos desagrada.

É preciso que compreendamos os objetivos traçados
por Deus para a elevação de seus filhos, que somos
todos nós.

E para que possamos crescer de acordo com os planos
divinos, o criador coloca à nossa disposição tudo o
de que necessitamos.

É o amparo da família, que nos oferece sustentação
e segurança em todas as horas...

A presença dos amigos nos momentos de alegria ou de
tristeza a nos amparar os passos e a nos
impulsionar para a frente.

São as possibilidades de aprendizado que surgem a
cada instante da caminhada tornando-nos mais
esclarecidos e preparados para decidir qual o
melhor caminho a tomar.

Mas, o que acontece conosco quando nos fechamos na
redoma escura da depressão ou da melancolia e assim
permanecemos por vontade própria?

É possível que em pouco tempo nossas forças
esmoreçam e não nos permitam sequer gritar por
socorro.

Por essa razão, devemos entender que Deus tem um
plano de felicidade para cada um de nós e que, para
alcançá-lo, é preciso que busquemos os recursos
disponíveis.

É preciso que imitemos o girassol. Que busquemos
sempre a luz, mesmo que as trevas insistam em nos
envolver.

É preciso buscar o apoio da família nos momentos em
que nos sentimos fraquejar.

É preciso rogar o socorro dos verdadeiros amigos
quando sentimos as nossas forças enfraquecendo.

É preciso, acima de tudo, buscar a luz divina que
consola e esclarece, ampara e anima em todas as
situações.

Naná

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Aprendi e decidi


E assim, depois de muito esperar, num dia como outro qualquer, decidi triunfar...
Decidi não esperar as oportunidades e sim, eu mesmo buscá-las.
Decidi ver cada problema como uma oportunidade de encontrar uma solução.
Decidi ver cada deserto como uma possibilidade de encontrar um oásis.
Decidi ver cada noite como um mistério a resolver.
Decidi ver cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz.
Naquele dia descobri que meu único rival não era mais que minhas próprias limitações e que enfrentá-las era a única e melhor forma de as superar.
Naquele dia, descobri que eu não era o melhor e que talvez eu nunca tivesse sido.
Deixei de me importar com quem ganha ou perde.
Agora me importa simplesmente saber melhor o que fazer.
Aprendi que o difícil não é chegar lá em cima, e sim deixar de subir.
Aprendi que o melhor triunfo é poder chamar alguém de"amigo".
Descobri que o amor é mais que um simples estado de enamoramento, "o amor é uma filosofia de vida".
Naquele dia, deixei de ser um reflexo dos meus escassos triunfos passados e passei a ser uma tênue luz no presente.
Aprendi que de nada serve ser luz se não iluminar o caminho dos demais.
Naquele dia, decidi trocar tantas coisas...
Naquele dia, aprendi que os sonhos existem para tornar-se realidade.
E desde aquele dia já não durmo para descansar...
Simplesmente durmo para sonhar.

Walt Disney

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Busca

Buscamos 3 coisas na vida: amor, paz e felicidade.
O paradoxo é que já temos o que procuramos.
Uma vez por ano vamos ao shopping, compramos um
lindo presente, escrevemos um cartão e damos a
alguém que está em nossa vida: esse presente
é para você, com muito amor. Onde está o amor?
No shopping? No presente?
Não, no meu coração.
Então porque não damos isso o ano inteiro?
O mesmo acontece com a felicidade.
Muitas coisas externas podem me fazer feliz,
mas também podem me escravizar.
Felicidade não é uma dependência, é uma decisão.
Decida-se ser feliz!

Mike George

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Tudo nesse mundo tem seu tempo

"Tudo neste mundo tem seu tempo;
Cada coisa tem sua ocasião.

Há um tempo de nascer e tempo de morrer;
 Tempo de derrubar e tempo de construir.

Há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar;
Tempo de chorar e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las;
Tempo de abraçar e tempo de afastar.

Há tempo de procurar e tempo de perder;
Tempo de economizar e tempo de desperdiçar;
Tempo de rasgar e tempo de remendar;
Tempo de ficar calado e tempo de falar.

Há tempo de amar e tempo de odiar;
Tempo de guerra e tempo de paz."

Eclesiastes 3, 1-8

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Reciclagem da Vida

Não sei se a vida se recicla. Não, talvez não.
Mesmo se após um tempo de reflexão decidimos mudar nossa vida, seremos sempre nós mesmos no fim.
Mudados, mas nós. Com todas as marcas e cicatrizes para que não nos esqueçamos do que fomos.

Sabemos que jamais poderemos recolar os pedaços das coisas vividas e construir novas.
Colchas de retalhos são muito bonitas, mas não passam de colchas de retalhos.
Remenda-se panos, recola-se papel ou vidro, mas não se remenda vidas, não se recola momentos passados, coisas que deixamos pra trás.

Recomeçar? Sim. Recomeçar é possível, mesmo (e felizmente!) se já não somos os mesmos.
Aprendemos, à custa de dor, mas aprendemos.
Não cometeremos duas vezes os mesmos erros, não beberemos a mesma água.

Durante anos vivemos como se não tivéssemos outras alternativas. A vida é assim, é o destino.
Mas nosso destino, nós fazemos.
Nossas prioridades, escolhemos e aprendemos a viver com elas. E só depois, mais tarde, é que nos questionamos sobre o fundamento das nossas escolhas.

Há pessoas que acham que é tarde demais para mudar e continuam na mesma linha, mesmo se conscientes de que talvez esse não tenha sido o melhor caminho.
Homens e mulheres que se mataram a vida toda para ganhar dinheiro terminam muitas vezes a vida sozinhos, cheios de dinheiro, vazios de amor.

E felizes são aqueles que descobrem que ainda é tempo para fazer alguma coisa. E que podem redefinir as próprias prioridades e assumí-las.
Vai doer, mas vai valer a pena, porque no fim das contas vamos ter a consciência tranqüila de que tentamos.

Um dos piores sentimentos que existem é o de não poder recapturar um momento que gostaríamos que tivesse sido diferente.
O eu de hoje não teria feito isso ou aquilo, mas o que eu era ontem não sabia o que sei agora.
Se soubesse, teria cometido menos erros.
Mas temos um Deus tão bom e tão grande que Ele está sempre nos oferecendo a opotunidade de nos redimir e fazer novas escolhas.

E agora? Agora sabemos. Não vamos pegar atalhos.
Eles podem ser atraentes, mas nos impedirão talvez de aproveitar as belezas da jornada.
O caminho da vida é bonito, apesar de ser mais difícil para uns que para outros.
Mas é bonito se sabemos tirar o máximo do que é bom.
Noites escuras podem nos fazer ver mais claramente as estrelas.
Só veremos o nascer do sol se acordarmos cedo.
Coisas simples que a natureza nos ensina.

Reciclagem de vida? Talvez sim.
Talvez sejamos, no fim das contas, uma colcha de retalhos da vida.
Mas que sejamos então uma bela colcha nova enfeitando um quarto, um coração, talvez mesmo muitos corações e muitas vidas, a começar por nós mesmos...

Pensando nisso , hoje , acarinhe por instantes seus retalhos e sinta que a costura que os une não é grotesca , como algumas vezes te parece, porque foi cerzido pelos fios invisíveis da maturidade adquirida !

Halice